terça-feira, 23 de setembro de 2008

LEIAM MEU ROMANCE "CORAÇÃO VENAL"

ATENÇÃO LEITORES:
EM BREVE UMA CAIXA POSTAL E A CONTA CORRENTE PARA FACILITAR A TODOS OS INTERESSADOS EM ADQUIRIR ESTE LIVRO.

• FICHA TÉCNICA

• Título: Coração Venal
• Autora: Jorge Eduardo Magalhães
• Romance - 112 págs. - R$ 20,00


• SINOPSE

Publicado em 2002 pela Litteris Editora, Coração venal é um romance forte, verdadeiro e cotidiano. Assim pode ser definido Coração Venal, do escritor Jorge Eduardo Magalhães.
Tendo por pano de fundo a cidade do Rio de Janeiro, o livro conta a história de um homem em busca de um verdadeiro amor. Um homem sofrido e vivido, mas inconscientemente esperançoso, o personagem principal de Coração Venal, cultiva o sentimento universal que move todo ser humano: amar e ser amado. É essa busca incessante pelo amor que move as páginas deste denso romance numa panorâmica pelos locais de decadência e prostituição do Rio. É a busca esperançosa e incessante por uma mulher que o ame e que mereça o seu amor que faz Coração Venal ser o romance atual e cotidiano.

O romance leva o leitor a visualizar cada “cena” apresentada, este livro é um verdadeiro “longa-metragem”, onde cada página torna-se um fotograma pronto para ser apreciado pelo leitor.

SINOPSES DE OBRAS NÃO-PUBLICADAS

ATENÇÃO EDITORES:ESTOU DIVULGANDO EM MEU BLOG O RESUMO DE MINHAS OBRAS AINDA NÃO PUBLICADAS. CASO SE INTERESSEM, ENTREM EM CONTATO PELOS E-MAILS JEMAGALHAES@YAHOO.COM.BR OU J.EDU.MAGALHAES@HOTMAIL.COM. COM CERTEZA MEUS LIVROS SÃO AGRADÁVEIS DE SER LER E POR ISSO SÃO COMERCIAIS.

SINOPSE: O RETRATO DE PERPÉTUA
CATEGORIA: ROMANCE

O romance mistura prosa, poesia e teatro. W. é um Poeta que vive de vender sues livros nos bares do centro do Rio, tem uma fixação por uma repórter de TV a quem chama de P.H. W. Suspeita de que foi contaminado por uma garota de programas com quem teve um caso, devido às constantes febres noturnas, mas mesmo assim, segue sua rotina vendendo seus livros e escrevendo sonetos para P.H, sua amada. Sua vida começa a mudar quando compra num sebo um livro de um poeta chamado Ribeiro Gomes cujos seus poemas são dedicados à Perpétua, sua musa inspiradora. W. fica impressionado, quando vê a gravura de Perpétua na contracapa do antigo livro e percebe que ela é igual a P.H. Começa então um misto entre delírio e realidade, loucura e lucidez.

SINOPSE: HETERONÍMIA MALDITA
CATEGORIA: ROMANCE
Escrito em forma de trabalho acadêmico, o romance Heteronímia maldita aborda a relação do narrador-personagem com seus heterônimos Humberto e Isadora, seu sonho de entrar para a vida acadêmica através de sua tese sobre Fernando Pessoa e seu gradativo processo de destruição. É dividido em 5 partes: "Introdução", "A heteronímia", "O projeto", "Personificação e desgraça"e "Epílogo".
Na "Introdução", o narrador-personagem diz a que se propõe falar.
Na segunda parte, “A heteronímia”, o narrador fala sobre sua solitária infância onde se dedicava em tempo integral à leitura e a escrever seus primeiros versos tendo apenas Humberto e Isadora como amigos, amizades, que desde o princípio, nunca foram compreendidas por seus familiares, nem vizinhos, nem colegas de escola, sempre lhe vendo como uma pessoa insana, com problemas mentais até a sua passagem pela faculdade, docência e os fracassos de seu casamento, carreira literária, acadêmica e o meu conseqüente isolamento do mundo.
Em “O projeto”, destaca a sua tentativa de ingressar na vida acadêmica, onde, por admirar as pessoas utópicas e por ser apaixonado pela obra de Pessoa, tem a pretensão de ingressar no Mestrado em Literatura Portuguesa com o projeto de dissertação intitulado A utopia na obra de Fernando Pessoa como onde faz uma abordagem sobre alguns aspectos utópicos na obra de Fernando Pessoa, enfatizando os seus heterônimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, bem como a sua poesia ortônima, dando enfoque à Mensagem.
Em “Personificação e desgraça”, descreve os problemas mais graves que a sua heteronímia, lhe causa sendo até acusado de estupro.
O "Epílogo", põe em cheque os limites entre realidade e devaneio.

SINOPSE: APRISIONANDO VERA FELDMANN
CATEGORIA: ROMANCE

Narrado em primeira pessoa, com uma dose de humor negro, o narrador-personagem, que tem uma fixação por uma atriz, fala de suas frustrações e os desprezos que sofreu na vida de sua mãe e dos colegas de escola. A sua fixação pela atriz Vera feldmann o faz imaginar que existe uma conspiração para destruir sua carreira, por isso a rapata e a aprisiona em seu apartamento.

SINOPSE: VAGANDO NA NOITE PERDIDA
CATEGORIA: ROMANCE

O romance Vagando na noite perdida é todo narrado em primeira pessoa e oscila entre o tempo presente e o flash-back fazendo uma abordagem do psicológico, onde faz um confronto entre o real e o imaginário, a alucinação e a realidade.
Após matar Gisele, um travesti adolescente com quem mantém um romance doentio, no quarto da hospedagem onde vive, o narrador-personagem sai vagando na madrugada pelas ruas do centro do Rio.
Em sua trajetória sem rumo vai se deparando com os tipos mais sórdidos e bizarros da madrugada carioca ao mesmo tempo que vai fazendo um balanço de toda a sua vida e de tudo o que deixou para trás como a carreira, a família e o emprego por causa do vício e da indolência.
No desenrolar do romance, durante o tempo presente, o protagonista vai caminhando pelos becos escuros, recorda toda a sua vida numa família de classe média, desde a sua adolescência, quando escondiam segredos de família; sua formatura, se forma e vai trabalhar numa área que não suporta; casamento, não se acostuma com a vida a dois até largar tudo e se envolver com os vícios do jogo, drogas e bebida.
No ponto em que perde tudo e vai morar numa hospedagem barata nas proximidades da Lapa descreve a sua vida de crimes, vícios e sua conturbada relação com Gisele por quem tem uma paixão doentia.
No final, já frustrado, sem perspectiva e com total desinteresse pela vida, entrega-se à polícia.

SINOPE: QUEM ME VIU MATAR A TITIA?
CATEGORIA: CONTOS

O livro de contos Quem me viu matar a titia? Possui três estórias, onde três narradores, que supostamente estão numa prisão ou num manicômio judiciário, relatam suas trajetórias de loucura e assassinato.
No primeiro conto “A boneca”, um jovem drogado se impressiona com o olhar macabro de uma boneca vestida de cigana que fica na porta de uma casa onde funciona um centro espírita e se faz consultas de tarô e búzios. Por coincidência ou não, começa a namorar uma menina que vive com a tia e tem mania de jogar tarô e que cuja sala de sua casa há um quadro com um retrato idêntico ao da boneca que viu no centro espírita. Sente-se zonzo ao olhar para o quadro.
No seu delírio começa a achar que todos estão envolvidos num complô contra ele, principalmente ao ver a imagem horrenda da tia de sua namorada que tem um estranho desenho em seu rosto.
Começa a achar que sua namorada é prisioneira de um bizarro jogo de bruxaria e resolve salvá-la matando sua tia.
Só no final é que ele descobre que o desenho no rosto da senhora é a marca do lugar para se aplicar a radioterapia num tratamento de câncer.
No conto “Quem me viu matar a titia?”, um rapaz fica órfão e é adotado por sua tia viúva e sem filhos. A tia lhe trata como se fosse seu filho e planeja para ele um futuro brilhante, porém, não tem o mesmo sentimento pela tia nem pelos estudos e começa a se envolver com droga. À medida que vai se viciando começa a ficar cada vez mais agressivo, e na ânsia de conseguir dinheiro mata a tia e enterra o corpo no quintal.
A partir daí começa a receber vários telefonemas ameaçadores de alguém dizendo que sabe o que ele fez. Desconfiando de um colega de vício, o atrai até a sua casa matando-o a sangue frio.
O conto “Bom-bom e Mau-mau”, dois policiais, um mediante tortura psicológica, outro mediante uma conversa amigável, fazem com que um jovem psicótico confesse os detalhes de estupro e assassinato de uma criança.
Na Quarta parte “Epílogo”, cada um dos narradores fazem uma análise sobre seus comportamentos.


SINOPSE: O NOME TATUADO
CATEGORIA: ROMANCE

O romance O nome tatuado retrata o dia a dia do enfermeiro Afonsinho, um homossexual que vai em busca de si mesmo através das mais sórdidas e bizarras perversões sexuais.
Afonsinho vive num pequeno apartamento no centro do Rio e vive em busca de saciar seu desejo nos banheiros da Central do Brasil e por todo o centro da cidade.
Com várias cenas de flash-back, voltamos também às constantes humilhações que passa durante sua infância e adolescência e seu envolvimento com Edílson, que nutre por Afonsinho um misto de ódio, tara e desejo, submetendo-lhe a todos os seus caprichos sexuais.
Durante uma de suas andanças pela Central do Brasil, vê um nome masculino tatuado no braço de uma prostituta e fica impressionado com aquele nome. Quem seria o dono daquele nome? Por que a prostituta tatuou no braço? São dilemas que vão mudar a sua vida para sempre.
O livro tem características realista-naturalista e tem como cenários lugares sujos e mal freqüentados do Centro do Rio de Janeiro.

SINOPSE: O MANTO NEGRO NA ESCURIDÃO
CATEGORIA: CONTOS

O livro de contos O manto negro na escuridão apresenta cinco contos macabros onde a fantasia e a realidade se confundem.
O conto-título “O manto negro na escuridão” relata a trajetória de Sandro, rapaz do interior que, a pretexto de estudar na capital, dedica suas noites a rituais macabros e às mais sórdidas orgias chegando inclusive a cometer um assassinato e a dedicar o cadáver como oferenda em troca de conquistar a pessoa amada.
Em “A iniciação”, neófito de uma misteriosa ordem secreta tem como missão no ritual de iniciação colocar fogo em um mendigo.
No conto “Interno 473”, um homem acorda num manicômio já vestido com um uniforme com o número quatrocentos e setenta e três. Neste misterioso lugar ninguém tem nome, pois todos são tratados pelos respectivos números. Ele não sabe como nem por que foi parar lá e tenta a todo custo fugir e luta para não enlouquecer de verdade.
Em “O grotto do Reverendo Schüller”, uma adolescente que está presa num cubículo fétido por membros da seita satânica da qual faz parte, relata como e o motivo pelo qual entrou para a seita e o porquê deles a aprisionarem em um cubículo da casa onde a seita funciona.
O último conto, “Psivampirismo” narra o processo de enlouquecimento de Gertrand, um psivampiro que suga a energia das pessoas e que, aos poucos sua necessidade de energia vital vai se tornando tão grande que começa a sugar o sangue das pessoas.

FOTOS DE MONTAGENS

ATENÇÃO LEITORES:
ESTAS SÃO ALGUMAS FOTOS E FOLDERS DE PEÇAS QUE ESCREVI QUE JÁ FORAM MONTADAS. FAÇAM SEUS COMENTÁRIOS E PERGUNTAS.

UMA VEZ RITA DAVIS
De: Jorge Eduardo Magalhães
Espaço Teatral José de Alencar
Maio de 2004
















VAGOS CORAÇÕES ERRANTES
De: Jorge Eduardo Magalhães Direção: Zaira Zambelli


















INQUILINOS DO RELENTO













ECOLOGICAMENTE INCORRETOS
















O CINQUENTENÁRIO DO DOUTOR SOBRAL
















A LENDA DO BOSQUE ENCANTADO De: Jorge Eduardo Magalhães Direção: Zaira Zambelli

















DEIXA ISSO PR'AMANHÃ De: Jorge Eduardo Magalhães Direção: Zaira Zambelli

PEQUENOS CONTOS - Por Jorge Eduardo Magalhães


Esses contos fazem parte do meu livro FAMÍLIA DE SOMBRAS 

ATENÇÃO A TODOS OS LEITORES:
LEIAM ALGUNS DE MEUS CONTOS E DEIXEM SUAS CRÍTICAS E COMENTÁRIOS. AGRADEÇO A SUA VISITA.
A filha do coração
Minha querida filha,
Chamo-te assim porque te considero como se fosse sangue do meu sangue, pois quando me casei com sua mãe você era praticamente um bebê.
Você não sabe como foi difícil, as noites acordado, ninando para te fazer dormir e ainda tinha que ouvir os comentários maliciosos dos parentes de sua mãe, “cuidado com esse homem na sua casa, você tem uma filha pequena, não deixe os dois sozinhos!”
Que mentes poluídas! Nunca tive maldade nenhuma com você! Te vi crescer, você é minha filha do coração.
Enfrentei suas dificuldades, suas febres, seus medos e seu pai biológico só aparecia nos bons momentos como aniversários, finais de semana que você esquecia completamente de mim e pulava em seus braços. Quantas vezes ao chamar tua atenção para o teu próprio bem, tive que ouvir: “Você não é o meu pai!”
Abri mão de ter meus próprios filhos, pois sua mãe não queria mais engravidar, mas tudo bem, tenho você!
Providenciei para que nada desse errado em seu casamento pra você entrar na igreja de braços dados com seu verdadeiro pai e eu fiquei como um mero convidado e no dia dos pais é com ele que você almoça e leva presentes.
Isso é só um desabafo, não sinta remorsos, não me arrependo de nada, se pudesse faria tudo outra vez.
Te amo, minha filha do coração!





O reserva
Do banco de reservas, observava o fiasco do seu time, lanterna da terceira divisão, perdendo em casa por seis a zero. O técnico, seu Joça, gritava as instruções para os jogadores em campo.
Alguém se aproximou dele e disse:
- Você não joga nada!
- Você não me viu jogando!
- Nem precisa, pra ser reserva dessa porcaria!
Sua cólera fez com que se lembrasse de um antigo sonho do início da carreira que nunca iria se realizar. Imaginava jogar num time grande e ser convocado pra seleção brasileira. E que estava jogando na final de uma Copa do Mundo realizada no Brasil contra a Argentina, o jogo estava zero a zero e aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, marcava um gol dando o título ao Brasil. Finalmente, levantava a taça com milhares de brasileiros gritando o seu nome. Despertou do sonho com o sétimo gol que seu time levou.
- Que técnico incompetente, retranqueiro – pensou, eu faria diferente.
Foi quando decidiu parar de jogar e se dedicar à carreira de técnico. Primeiro tiraria seu time do buraco e chegaria a técnico da seleção brasileira, onde numa final conta a Argentina faria uma substituição de um jogador que logo ao entrar em campo faria o único gol da partida dando o título ao Brasil, seu nome como técnico seria aclamado e...






Tudo por uma paixão

Rosana, filha de um rico empresário, conheceu Mc Caveira num baile funk do morro. Foi paixão à primeira vista, e a partir daquele dia não se desgrudavam mais, Rosana ia quase todos os dias ao morro para vê-lo.
Pertencendo a uma das famílias mais ricas da cidade, era cortejada por vários rapazes da alta sociedade, dentre eles o Ricardinho, um eterno apaixonado que não era correspondido, “parecia um maçarão sem molho”, dizia Rosana às amigas.
Tinha somente olhos para Mc Caveira e estava pronta para desafiar a tudo e a todos em nome dessa paixão. Já até imaginava qual seria a reação do seu pai quando lhe contasse tudo. “Você enlouqueceu minha filha? Você vai ficar um ano na Europa!”
Caso ele dissesse isso fugiria e seria até capaz de ir viver no morro com seu grande amor, e não seria tão ruim, pois ali respirava o amor e a sinceridade.
Foi contar tudo para o seu pai preparada para o pior, mas teve uma surpresa:
- Você é quem sabe, minha filha! Faça o que o seu coração mandar!
Não acreditava no que estava ouvindo e foi direto contar para o Mc Caveira as palavras de seu pai. Enquanto subia o morro foi percebendo a miséria do local, nem parecia aquele lugar exótico que tanto a fascinou, quando ficou frente a frente com Mc Caveira não teve coragem de beija-lo, achou-o asqueroso, repulsivo. Terminou tudo e virou de costas sem olhar pra trás.
Nunca mais voltou ao morro e uma semana depois estava feliz da vida ao lado de Ricardinho.




Trinta anos
Como o tempo passa rápido, faz trinta anos que você está comigo, sou uma pessoa privilegiada, enquanto a maioria dos filhos chega uma hora que sai de casa, você sempre aqui comigo a me observar trabalhando em meu escritório.
Lembro-me que teu parto foi prematuro, aliás, bem prematuro. Todos acharam que eu havia enlouquecido, mas não dei bola, fui em frente e você está aqui comigo há trinta anos.
Tenho pena dos pais que vêem seus filhos crescendo e deixando-os sozinhos, ainda bem que você não é assim, está sempre aqui no meu escritório, não cresce, não envelhece, dentro deste vidro com formol.




O jurista
O jurista Isidoro era o terror dos policiais arbitrários, bastava dar um peteleco num marginal que ele execrava “Um absurdo, uma arbitrariedade”, resmungava.
Respeitado por uns, odiado por outros, dizia-se um ferrenho defensor dos direitos humanos e tinha vários livros publicados sobre o assunto e defendia a tese que o bandido era uma vítima da sociedade.
Quando era levantada a discussão sobre aumentar a pena ou diminuir a idade penal para crimes hediondos, era radicalmente contra: “Não é punindo que melhoramos a sociedade e sim educando, resgatando.”
Certa vez ocorreu um crime bárbaro, um casal oi brutalmente assassinado por um menor e Isidoro foi imediatamente dar assistência ao assassino, preocupado com o seu bem-estar e sua estrutura psicológica, ignorando as famílias das vítimas.
Uma noite recebeu um telefonema, seu único filho havia sido assaltado e espancado por três menores. Correu para a delegacia. Ao ver o filho arrebentado e os assaltantes presos, teve que ser contido pelos policiais da delegacia para não espanca-los.





Amor virtual
Patrícia conversava há cerca de um mês com um rapaz que conhecera numa sala de bate-papo na internet. Ele dizia ter dezoito anos e ser estudante de direito. Apaixonou-se de cara pelo seu discurso, tão maduro para a sua idade. “Ele é lindo”, suspirou ao ver sua foto.
Nos seus quinze anos não agüentava mais as constantes brigas de seus pais, e Maurício, seu namorado virtual, era seu confidente, sua válvula de escape, ficava horas diante do computador desabafando suas tristezas e lamúrias. Maurício lhe escrevia palavras confortadoras que deixava seu coração mais leve.
Na sua ansiedade adolescente, Patrícia não via a hora de conhecer seu amor pessoalmente. Ele relutou, disse que ainda não era o momento, mas ela insistiu sob a ameaça de terminar tudo e ele aceitou.
Marcaram o encontro na praça de alimentação de um shopping. Ela chegou primeiro e ficou esperando-o sentada à mesa. Aguardou impaciente, já estava atrasado há quase meia hora e quando pensava em ir embora teve uma surpresa.
- Oi Patrícia!
- Oi tio Raul! – disse ao pai de uma de suas colegas que sentou à sua mesa.
- O que faz aqui? Veio buscar a Andréia?
- Vim me encontrar com você! Eu sou o Maurício!
- O que? E aquela foto?
- Era do meu sobrinho. Desculpa, é que sou apaixonado por você, mas não devia, você é colega da minha filha, conhece minha esposa!
Ameaçou levantar-se para embora, mas foi impedido por Patrícia!
- Fica!
- Como assim!
Não interessa que seja pai da minha colega, me apaixonei por você ter deixado o meu coração mais leve.
E se beijaram loucamente.




A infielDesde que se casara com Lígia, Olímpio não tinha olhos para outra mulher, amava-a profundamente e dava a ela uma vida de rainha. Médico bem sucedido, Olímpio não deixava sua esposa trabalhar, embora ela fosse formada em psicologia. Durante a noite, após um amor ardente, ficava horas contemplando a beleza do corpo nu de sua amada. Achava que não existia no mundo outra mulher tão bonita. Um dia a grande desilusão: Olímpio chegou mais cedo em casa e flagrou Lígia com outro na cama. Ficou em estado de choque.
- Por que você me traiu?
- Me perdoa, foi uma fraqueza! – disse a adúltera em prantos.
Pensou, refletiu e decidiu perdoar Lígia. As traições continuaram, só que com amantes diferentes. Desesperado, Olímpio quis saber o motivo da descarada infidelidade da esposa que lhe respondeu chorando:
- Eu te amo muito, mas não consigo me satisfazer só contigo.
Pensou em se separar de Lígia, mas não conseguia, pois a amava demais. Resolveu não enxergar o que acontecia debaixo do seu nariz. Lígia chegava cada vez mais tarde em casa e Olímpio nada dizia, apenas deitava ao seu lado e dormia.
Uma tarde, num bar, apareceu um rapaz com que Lígia se encantou, chamava-se Carlos e era um rapaz alto e de corpo atlético. Depois de fazerem amor, Lígia sentiu uma enorme dor de consciência por tudo o que tinha feito com o marido. Prometeu a si mesma nunca mais trair Olímpio. Chegando em casa verificou que as roupas de Olímpio não se encontravam mais no armário onde encontrou um bilhete do marido:
Tentei salvar o nosso casamento, mas vi que é impossível viver ao teu lado; estou indo embora. Aquele rapaz com quem você saiu hoje à tarde fui eu quem lhe arranjei. Quero também comunicar que tem uma surpresa para você na primeira gaveta do armário.
Lígia, curiosa, abriu a gaveta onde só havia o exame de HIV de Carlos com resultado positivo.

MEMÓRIAS DO CARNAVAL - Por Jorge Eduardo Magalhães

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MEMÓRIAS DO CARNAVAL

Por: Jorge Eduardo Magalhães


SAUDADES
Oh saudades! / M eu carnaval é você/ Caprichosamente / Vamos reviver (...).
Quem não se lembra desse inesquecível samba da Caprichosos de Pilares no carnaval de 1985? Aquele era um ano de transição no país, estávamos finalmente saindo da ditadura, aliás, na televisão passava uma propaganda com dicas para o carnaval que tinha o jingle: “Caia na folia! Caia na folia! No carnaval da democracia!”
O brasileiro vivia uma época de muitas esperanças e também de saudades de tempos passados que provavelmente não voltariam mais. Saudades era o enredo da Caprichosos naquele ano e, conforme o samba dizia, saudades do amolador de faca, do leite sem água, da gasolina barata.
Lembrava que diretamente o povo elegia o presidente, pois estávamos saindo do governo militar; daquela seleção nacional, pois desde 1970 o Brasil não vencia uma copa do mundo; do Botafogo, que amargava o título desde 1968 e da virgindade que havia levado sumiço.
De lá para cá, muitas coisas mudaram no país, outras não: o bonde, como em 85, só podemos ver no Corcovado ou em Santa Teresa, o amolador de facas, ainda é possível ver muito raramente perdido em alguma rua do subúrbio e a virgindade continua desaparecida; mas elegemos diretamente o presidente, a seleção brasileira ganhou mais duas copas do mundo e o Botafogo já foi campeão diversas vezes a partir de 1989.
De várias coisas que os cariocas sentem saudades, uma delas são os velhos carnavais da Caprichosos com seus enredos e sambas irreverentes e por isso em nome de todos os apaixonados pelo carnaval pergunto – onde anda você Caprichosos de Pilares com seus antigos carnavais?


O ZIRINGUIDUM DA MOCIDADE
Na terça-feira do carnaval de 1985, fui passar o dia na casa da minha avó na antiga Rua C, em Padre Miguel. O carnaval do bairro era muito animado com diversos blocos passando pelo Ponto Chic, ponto de encontro do bairro.
Achei fascinante no bairro o fato de praticamente todos os moradores torcerem pela Mocidade Independente de Padre Miguel, que seria a campeã do carnaval daquele ano com o enredo Ziringuidum 2001, um carnaval nas estrelas.
Outra coisa que também me chamou atenção foi o fato de muitas pessoas usarem a camisa do Bangu, que estava em seu auge. Naquele ano o time alvi-rubro deixaria escorregar pelas mãos o título de campeão brasileiro para o Curitiba nos pênaltis, em pleno Maracanã.
Mas voltando a falar do carnaval de 1985, lembro-me que naquele dia a Mocidade fez um desfile para a comunidade pelas ruas de Padre Miguel e, mesmo sendo um desfile informal, eu e todos os que assistiam àquele espetáculo ficamos fascinados com o que víamos, pois eram encantadoras suas fantasias e os adereços com caráter futurista em harmonia com o samba e a inconfundível bateria da escola. A Unidos de Padre Miguel também fez seu desfile para a comunidade, com menos glamour, mas com a mesma garra e amor com o enredo Folia, amor e fantasia.
A Mocidade, merecidamente, foi a campeã do carnaval daquele ano causando uma grande euforia à comunidade daquele bairro da Zona Oeste, mas, infelizmente, a Unidos de Padre Miguel ficou em último lugar do Grupo 1-B, sendo rebaixada.
Naquele ano de grandes surpresas e transformações no país como a abertura política, a morte de Tancredo Neves e o sucesso estrondoso da novela Roque Santeiro, só faltaram duas coisas para completarem a felicidade do povo de Padre Miguel: o Bangu ter sido campeão brasileiro e a Unidos de Padre Miguel em vez de rebaixada, ter sido campeã do grupo 1-B para no ano seguinte desfilar junto com a Mocidade.



A EM CIMA DA HORA E A RUA DA CARIOCA

Em 1996 eu saía no Bloco do Bigode que desfilava na Avenida Rio Branco nos domingos e terças de carnaval.
Num dos pagodes na sede do bloco, que ficava na Rua Silvana, em Piedade, realizado um domingo antes do carnaval, uma das componentes do bloco me convidou para desfilar na Em Cima da Hora, que iria desfilar no sábado de carnaval pelo grupo A.
Aliás, o Bloco do Bigode parecia ter alguma ligação com a escola de Cavalcante, pois no repertório dos pagodes de domingo não podia faltar “Os sertões”, inesquecível samba-enredo da Em Cima da Hora de 1976, samba homônimo da obra de Euclides da Cunha, que falava sobre a guerra de Canudos.
O enredo daquele ano era sobre a Rua da Carioca e a minha ala representava o Bar Luiz, que tem um dos melhores chopes da cidade. Como é um bar com comida alemã, a nossa fantasia era de tirolês azul, que representava a cor da escola. Um caneco de chope pendurado no pescoço por um barbante também fazia parte da fantasia.
Na concentração eu comprava cerveja em lata e enchia a caneca pendurada no pescoço enquanto ríamos e tirávamos fotos.
A nossa escola seria a primeira a desfilar e quando o alto-falante anunciou a nossa entrada e do outro lado da Presidente Vargas teve uma sessão de fogos, nossos corações bateram mais forte. Lembro-me até hoje da chamada para começar a cantar o samba: “Com seu manto azul e branco vem ela aí e vem lá de Cavalcante pra Sapucaí.”
A presidente da ala alertou para que não entrássemos bebendo na avenida e rapidamente bebemos a cerveja que estava na caneca. Começava o samba: “Ô yara cigana, canta, dança e toca, é Rio, é Rua, é Carioca”. Mas a nossa ala se empolgava ainda mais quando cantávamos a parte: “E tome polca, no Bar Luiz a noite inteira, samba, chope e gafieira”, mostrando as canecas para o público e para os jurados.
Foi uma emoção ver o Arco da Apoteose crescendo diante dos nossos olhos e chegamos à dispersão com sensação de missão cumprida.
A GRES Em Cima da Hora tirou um modesto 6º lugar, mas fez um lindo desfile com qualidade de campeã.


MADAME SATÃ DA LINS IMPERIAL

Na minha adolescência, o ônibus que eu pegava de volta para casa, quando ia à praia de Copacabana, passava na Avenida Mem de Sá, na Lapa. Na época um lugar onde a única coisa que me chamava a atenção, além da exuberância de seus Arcos, era porque dava para perceber, mesmo durante o dia, que era um lugar de prostituição devido ao número de inferninhos e hotéis baratos. De um lado da avenida ficava a Boate Carrossel e do outro a Novo México, que hoje é o Niño de Artes Luiz de Mendonça, um espaço cultural dedicado ao teatro.
Em 1990 a Lins Imperial homenageou Madame Satã, figura folclórica do bairro boêmio carioca que vivia entre “malandros e artistas; mundanas e conquistas e famosos cabarés e também rufiões e cafetinas que sempre disputavam o comércio dos bordéis”. O inesquecível samba-enredo que começava com “A lua vem brilhando cor de prata, para iluminar a Lapa, dos sambistas e seresteiros” emocionava o público na Sapucaí que vibrava ainda mais quando a escola do Lins cantava na avenida o refrão “Navalha no bolso e chapéu de panamá, lá vai o malandro, o baralho cartear”.
A Lins Imperial ficou em antepenúltimo lugar e escapou de ser rebaixada, mas foi campeã em meu coração, numa época que eu nem sonhava que um dia seria vizinho da escola e tampouco desfilaria por ela muitos anos depois.
O enredo da Lins Imperial de 90 me incentivou a conhecer a Lapa, que no início dos anos noventa, ainda era um lugar deserto, escuro e perigoso, repleto de travestis, pivetes e prostitutas, muito longe de ser o ponto turístico que é hoje em dia, com seus Arcos e seus velhos casarões, testemunhas de várias lendas e histórias.


NA CASA DE TIA SURICA

Lecionei durante todo o ano de 2003 no Colégio Estadual Paulo da Portela, em Irajá, onde minha esposa era diretora.
Naquele ano o patrono do colégio completaria cento e dois anos de seu nascimento e, junto com os outros professores e alunos elaboramos um projeto que chamamos de Primeira Semana Paulo da Portela quando seriam apresentadas atrações e trabalhos em homenagem ao fundador da escola de samba de Madureira, pois nosso colégio levava o seu nome.
Primeiramente fomos à quadra da Portela conversar com a Velha Guarda onde fomos recebidos com muito carinho por Monarco que rapidamente nos integrou com todo o restante do grupo, fizemos entrevistas, escutamos suas histórias com tudo registrado num gravador por um dos professores e no final todos nós fomos convidados para desfilar o que aceitamos imediatamente e nos deixou lisonjeados.
Num outro dia formamos uma comissão da qual fazia parte professores, funcionários e uma aluna, que dizia ser vizinha do filho da Paulo da Portela, para irmos à casa de Tia Surica, em Madureira.
Passamos uma tarde muito agradável ouvindo as histórias daquela tradicional componente da Velha Guarda da Portela e quando a aluna disse que conhecia o filho de Paulo da Portela, Tia Surica foi logo falando desconfiada:
- Filho? Paulo da Portela não teve filho!
Ficou pensativa por algum tempo e perguntou à aluna:
- Vem cá, é um negão que estica o cabelo?
E quando a aluna respondeu que sim, teve certeza de quem estava falando:
- Mentira, aquele lá é o Cabelo Frito, ele fala pra todo mundo que é filho do Paulo da Portela!
Rimos do caso e depois em casa comentei com minha esposa:
- Já pensou que vergonha, se no dia da festa, nós homenageássemos o falso filho do Paulo da Portela diante da Velha Guarda?