sábado, 25 de setembro de 2010

SONETO DE UM AMOR IRREAL


Há muito tempo, amei quem não existia,
E toda noite com ela eu sonhava,
Meu eterno amor, eu lhe declarava,
Mas, na verdade, ela não me ouvia.

Todas as vezes, quando anoitecia,
Repleto de paixão eu me deitava,
Sempre pensando nela, eu suspirava
E, com serenidade, adormecia.

De mãos dadas, andávamos na areia,
Caminhávamos pela beira do mar,
De dia e nas noites de lua cheia,

Como era gostoso lhe abraçar,
E vinha o triste dia que clareia,
Para mim era triste despertar.

(Jorge Eduardo Magalhães)

domingo, 5 de setembro de 2010

UM SONETO PARA MAFALDA


Personagem, menina prodígio,
Musa pseudo-intelectual,
Suas chatas tirinhas de jornal,
Deram-te desmerecido prestígio.

Seus chatos comentários são litígios,
Um modelo de criança sacal,
Sempre numa situação banal,
Talento, não deixa o menor vestígio.

Sempre politicamente correta,
Seus quadrinhos deveriam ser mudos,
Pois só diz coisas óbvias diretas,

Vou desabafar, vou te dizer tudo,
Creio que esta é a atitude mais certa,
Se fosse real, te dava um cascudo.

(Jorge Eduardo Magalhães)

sábado, 14 de agosto de 2010

NOITES PERDIDAS


Minha querida Patrícia
Na minha luta diária,
Vejo dicas literárias,
No RJ notícias.

Ficaria feliz da vida,
Se numa sexta falasse,
E minha obra mostrasse,
Vagando na noite perdida.

(Jorge Eduardo Magalhães)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

CONTO DE JORGE EDUARDO PUBLICADO NO JORNAL TREM ITABIRANO-MG





O reserva
 Do banco de reservas, observava o fiasco do seu time, lanterna da terceira divisão, perdendo em casa por seis a zero. O técnico, seu Joça, gritava as instruções para os jogadores em campo.
Alguém se aproximou dele e disse:
  - Você não joga nada!
 - Você não me viu jogando!
 - Nem precisa, pra ser reserva dessa porcaria!
 Sua cólera fez com que se lembrasse de um antigo sonho do início da carreira que nunca iria se realizar. Imaginava jogar num time grande e ser convocado pra seleção brasileira. E que estava jogando na final de uma Copa do Mundo realizada no Brasil contra a Argentina, o jogo estava zero a zero e aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, marcava um gol dando o título ao Brasil. Finalmente, levantava a taça com milhares de brasileiros gritando o seu nome. Despertou do sonho com o sétimo gol que seu time levou.
 - Que técnico incompetente, retranqueiro – pensou, eu faria diferente.
 Foi quando decidiu parar de jogar e se dedicar à carreira de técnico. Primeiro tiraria seu time do buraco e chegaria a técnico da seleção brasileira, onde numa final conta a Argentina faria uma substituição de um jogador que logo ao entrar em campo faria o único gol da partida dando o título ao Brasil, seu nome como técnico seria aclamado e...

                                                   (Jorge Eduardo Magalhães)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

VOLTA PATRÍCIA


Ela não deu mais o ar de sua graça,
Não aparece mais naquele jornal,
Não apresenta a agenda cultural,
Onde sua beleza sempre realça.

Não aparece em nenhum momento,
Não fala da violência diária,
Nunca mais nos deu as dicas literárias,
Muito menos a previsão do tempo.

Quero que Patrícia reapareça,
Para as novidades nos informar,
E a nova emissora vir te mostrar,
Para que o povo nunca mais te esqueça.

(Jorge Eduardo Magalhães)

NOVO LINK PARA ADQUIRIR MEU ROMANCE



O novo link da editora para quem quiser adquirir meu romance Vagando na noite perdida é: http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=206&idProduto=207

Leiam trecho da orelha do livro escrita pelo professor, escritor e jornalista Nelson Tangerini:

Enquanto o corpo da bela e loira Gisele jaz nu e adormecido - para sempre? - sobre a cama de um imundo e fétido quarto da Lapa, fazendo-nos lembrar, rapidamente, de um longínquo poema de Castro Alves, seu atormentado e tenso namorado resolve passear pelo reduto boêmio daquela região. O autor de Vagando na Noite Perdida passeia pelo mundo (a velha Lapa) de Manuel Bandeira, fazendo uma verdadeira geografia machadiana daquele local que um dia fora familiar e muito chique. É a história do submundo da Lapa, do submundo das grandes cidades. Histórias como estas tomam as páginas policiais de nossos jornais sensacionalistas todos os dias.
(...)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

CONTO DE JORGE EDUARDO PUBLICADO NO JORNAL POLEGAR - NOVO HAMBURGO/RS


O noivo da suicida

 Foi ao hospital fora do horário da visita, conseguiu convencer os enfermeiros, não queria correr o risco de se deparar com nenhum familiar de Cecília. “A culpa foi sua!” “Canalha!” Tinha certeza de que ouviria isso, talvez até partissem para a violência física.
 Namoraram desde garotos, mas a relação estava desgastada, Cecília era extremamente ciumenta, possessiva, sentia-se sufocado. Havia conhecido Cristina, uma pessoa maravilhosa, que o compreendia e o incentivava a realizar todos os seus sonhos. Enquanto Cecília sempre o ridicularizava, baixando ainda mais a sua auto-estima.
 Não tinha culpa de nada, ninguém era obrigado a ficar com ninguém. Não era culpado se a louca da Cecília, depois que ele terminou o namoro ateou fogo no próprio corpo.
 Entrou no quarto, ela estava sedada, ficou observando seu corpo enfaixado e sentiu um enorme aperto em seu coração. Sim, a culpa era toda dele, ele tinha que ter preparado Cecília para o rompimento do compromisso.
 Agora se sentia na obrigação moral de se casar com Cecília, afinal, ela arruinara sua vida por causa dele.
 Saiu do quarto com os olhos úmidos, no corredor do hospital pensava em terminar tudo com Cristina, seria duro, mas ele se sentiria melhor.
 Cristina o esperava na porta do hospital e ele estava decidido.
 - Cris, preciso muito falar contigo, tomei uma decisão muito séria.
 - Pode falar, meu amor.
 Ficou calado por alguns instantes e disse:
 - Querida, te amo muito, por isso quero me casar contigo.
 Trocaram um apaixonado beijo.
 
                                              (Jorge Eduardo Magalhães)