sexta-feira, 1 de maio de 2026

EPOPEIA DA LITERATURA BRASILEIRA


Começou com a Carta de Caminha,
E a Literatura de Informação,
Daqueles viajantes que se alinham,
Jesuítas com catequização,
Conteúdo didático continha,
Naquele processo de formação,
Provavelmente não fosse por mal
Em uma trajetória colonial.


E no século seguinte surgiu
O Barroco com a sua epopeia,
Foi o primeiro épico do Brasil,
De Bento Teixeira, a Prosopopeia,
Um estilo como jamais se viu,
Com suas contraditórias ideias,
Naquele jogo do conceptismo 
E também nas palavras do cultismo.


Em Minas Gerais surgiu o Arcadismo,
Exaltava toda a simplicidade,
Todo aquele pastoril bucolismo,
Temas simples, objetividade,
Contudo, tão repleto de lirismo,
Numa vida campestre sem vaidade,
Claudio Manuel foi seu precursor,
Em Obras poéticas, com valor.


O Romantismo com três gerações,
A Indianista foi a pioneira,
Byroniana com suas tensões,
Um pessimismo de muitas maneiras,
Sendo assim, com sociais reflexões,
Por  último, surgiu a Condoreira,
Que criticava toda exploração
Principalmente, a triste escravidão.


Abordando atitudes muito vis,
O Realismo se intensificou,
Foi quando nosso Machado de Assis
As Memórias póstumas publicou,
Naquela sociedade que condiz,
O principal tema que se abordou,
Contundente crítica social,
Mostrando seu verdadeiro ideal.


Enfatizou o foco cientificista
O Naturalismo, sem poesia,
Com sua pegada determinista,
Priorizou torpes patologias,
Um dos nossos maiores romancistas,
Aluísio Azevedo que existia,
Pois escreveu O cortiço e O mulato,
Essas duas belas obras, de fato.


Veio surgindo então o Simbolismo,
Com toda sua musicalidade,
Repleto de tamanho misticismo,
Toda aquela subjetividade,
Fez oposição ao racionalismo,
Um devaneio etéreo de verdade
Diversas impressões sensoriais
Com Cruz e Sousa em Broquéis e Missais.


O parnasianismo, grande parte
Da Literatura, tão literal,
Seu principal lema era "A arte pela arte",
Exigindo forte rigor formal.
A formalidade, seu estandarte,
Palavras raras, foco principal
As estrofes perfeitas, forte meta,
Com Bilac, o Príncipe dos Poetas.


Real ruptura com o passado,
O Pré-Modernismo coloquial,
Abordou tipos marginalizados,
Denúncia da miséria nacional,
Os excluídos foram retratados,
Naquele tamanho caos social,
Lima Barreto e suas reflexões.
Nosso Euclides da Cunha em Os sertões.


Foi em fevereiro de vinte e dois,
Aconteceu artística odisseia,
Sem tendo que deixar para depois
Um das mais vanguardistas ideias,
A Semana de Arte Moderna, pois,
Na já cosmopolita pauliceia,
Valorizou a cultura popular,
E a maneira do povo de falar.


Mas, na Segunda Geração, de Trinta,
De um modo equilibrado e racional,
Descrição de uma forma tão sucinta,
Caráter fortemente regional,
Abordagem com a mais bruta tinta,
Daquela forma crua e visceral. 
Às mazelas fizeram um forte ataque,
Tendo o Nordeste seu maior destaque,


Nossa Terceira Fase equilibrada,
Uma linguagem mais objetiva,
O intimismo, foi maior pegada
Naquela forma introspectiva,
A perfeição sendo tão sublimada
Tonalidade bem subjetiva,
A tamanha preocupação com a estética
Uma sublimação de forma hermética.


E na nossa contemporaneidade,
É claro que existem bons escritores,
Contudo, ao mesmo tempo, a sociedade,
Apresenta-nos estranhos valores,
Dependendo de quem faz, é verdade,
Que os críticos dão devidos louvores,
A verdadeira preocupação,
Realmente, de fato, é a lacração.

(Jorge Eduardo Magalhães)








 

ORAÇÃO DE MAIO


Neste mês tudo de bom aconteça,
Que aquele teu sonho se realize,
Consiga tudo aquilo que precise,
E as conquistas sempre agradeça.


Clamo que a alegria compareça,
Neste teu dia a dia suavize,
Nas mais difíceis de todas as crises,
E que teu âmago se fortaleça.


Peço que este mês lhe venha sorrindo,
Repleto de alegria e muita sorte,
Despontando como um sonho lindo,


De uma forma cada vez mais forte,
E que maio seja um frescor infindo,
Que os melhores fluidos lhe reportem.

(Jorge Eduardo Magalhães)


 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

TROVA ATUAL


Quando vem do lado errado
Tudo é discriminação,
Mas se partir dos blindados,
Liberdade de expressão.

(Jorge Eduardo Magalhães)

 

SONETO DO PACTO SATÂNICO


Disseram-me que para enriquecer,
Com bastante rapidez e impacto,
É só fazer um satânico pacto,
Que na vida conseguirei vencer.


Querendo este tal ritual fazer,
Mas ao mesmo tempo sair intacto,
Sem um caminho repleto de cactos,
Não tendo que no inferno perecer.


Desejo ser rico sem nenhum trauma,
Não quero ser um ente que vagueia,
Nas trevas, junto com as outras almas,


Então tive uma ideia muito feia,
Fui filosofando com muita calma,
Será que posso vender alma alheia?

(Jorge Eduardo Magalhães)


 

terça-feira, 28 de abril de 2026

SALA DOS PROFESSORES


Juro a vocês que não é arrogância,
Contudo, vivemos tempos de horrores,
Pois entrar na sala dos professores,
É ouvir a mais chata militância


Aquela mais terrível circunstância,
Com maçantes discursos e rumores,
Agem como verdadeiros censores,
Por isso, tento manter a distância.


Vão defendendo o sistema atual
Como se estivesse uma maravilha,
Desconhecendo este mundo real


Vivendo numa imaginária ilha,
Parece até uma vida ideal
Enaltecendo a vigente quadrilha.

(Jorge Eduardo Magalhães)


 

CAFÉ COM SAUDADES


Entre beijos e cafés vespertinos,
Que falta aquele momento me faz,
Românticas conversas virtuais,
A maior recordação que defino.


Entre teus abraços e capuccinos,
Lembranças lúcidas e irreais
Com aqueles cenários ideais,
Cafeteria, céu e mar divinos.


Tudo tão apropriado e perfeito,
Cenas sublimes de uma linda história,
Cuja saudade inspirou o roteiro,


Ribalta viva na minha memória,
A relíquia viva dos meus afeitos,
Versos para ti com dedicatória.

(Jorge Eduardo Magalhães)


 

MEU CONTO "O PRÍNCIPE DO BAIRRO" NO POLO DE NOTÍCIAS