Começou com a Carta de Caminha,
E a Literatura de Informação,
Daqueles viajantes que se alinham,
Jesuítas com catequização,
Conteúdo didático continha,
Naquele processo de formação,
Provavelmente não fosse por mal
Em uma trajetória colonial.
E no século seguinte surgiu
O Barroco com a sua epopeia,
Foi o primeiro épico do Brasil,
De Bento Teixeira, a Prosopopeia,
Um estilo como jamais se viu,
Com suas contraditórias ideias,
Naquele jogo do conceptismo
E também nas palavras do cultismo.
Em Minas Gerais surgiu o Arcadismo,
Exaltava toda a simplicidade,
Todo aquele pastoril bucolismo,
Temas simples, objetividade,
Contudo, tão repleto de lirismo,
Numa vida campestre sem vaidade,
Claudio Manuel foi seu precursor,
Em Obras poéticas, com valor.
O Romantismo com três gerações,
A Indianista foi a pioneira,
Byroniana com suas tensões,
Um pessimismo de muitas maneiras,
Sendo assim, com sociais reflexões,
Por último, surgiu a Condoreira,
Que criticava toda exploração
Principalmente, a triste escravidão.
Abordando atitudes muito vis,
O Realismo se intensificou,
Foi quando nosso Machado de Assis
As Memórias póstumas publicou,
Naquela sociedade que condiz,
O principal tema que se abordou,
Contundente crítica social,
Mostrando seu verdadeiro ideal.
Enfatizou o foco cientificista
O Naturalismo, sem poesia,
Com sua pegada determinista,
Priorizou torpes patologias,
Um dos nossos maiores romancistas,
Aluísio Azevedo que existia,
Pois escreveu O cortiço e O mulato,
Essas duas belas obras, de fato.
Veio surgindo então o Simbolismo,
Com toda sua musicalidade,
Repleto de tamanho misticismo,
Toda aquela subjetividade,
Fez oposição ao racionalismo,
Um devaneio etéreo de verdade
Diversas impressões sensoriais
Com Cruz e Sousa em Broquéis e Missais.
O parnasianismo, grande parte
Da Literatura, tão literal,
Seu principal lema era "A arte pela arte",
Exigindo forte rigor formal.
A formalidade, seu estandarte,
Palavras raras, foco principal
As estrofes perfeitas, forte meta,
Com Bilac, o Príncipe dos Poetas.
Real ruptura com o passado,
O Pré-Modernismo coloquial,
Abordou tipos marginalizados,
Denúncia da miséria nacional,
Os excluídos foram retratados,
Naquele tamanho caos social,
Lima Barreto e suas reflexões.
Nosso Euclides da Cunha em Os sertões.
Foi em fevereiro de vinte e dois,
Aconteceu artística odisseia,
Sem tendo que deixar para depois
Um das mais vanguardistas ideias,
A Semana de Arte Moderna, pois,
Na já cosmopolita pauliceia,
Valorizou a cultura popular,
E a maneira do povo de falar.
Mas, na Segunda Geração, de Trinta,
De um modo equilibrado e racional,
Descrição de uma forma tão sucinta,
Caráter fortemente regional,
Abordagem com a mais bruta tinta,
Daquela forma crua e visceral.
Às mazelas fizeram um forte ataque,
Tendo o Nordeste seu maior destaque,
Nossa Terceira Fase equilibrada,
Uma linguagem mais objetiva,
O intimismo, foi maior pegada
Naquela forma introspectiva,
A perfeição sendo tão sublimada
Tonalidade bem subjetiva,
A tamanha preocupação com a estética
Uma sublimação de forma hermética.
E na nossa contemporaneidade,
É claro que existem bons escritores,
Contudo, ao mesmo tempo, a sociedade,
Apresenta-nos estranhos valores,
Dependendo de quem faz, é verdade,
Que os críticos dão devidos louvores,
A verdadeira preocupação,
Realmente, de fato, é a lacração.
(Jorge Eduardo Magalhães)