segunda-feira, 26 de julho de 2010

O CARNAVAL NA INTENDENTE


O carnaval da Intendente
Não tem luxo nem riqueza,
Mes excede na beleza,
Contagia toda a gente.

O carnaval na Intendente,
Espanta toda a tristeza,
E temos plena certeza,
Que não sai da nossa mente.

Criativas fantasias,
Espetáculo, esplendor,
Adereços e alegorias,

Causam ao povo um furor,
Vibração e euforia,
Alegria com clamor.
(Jorge Eduardo Magalhães)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

CONTO DE JORGE EDUARDO PUBLICADO NO JORNAL POLEGAR / NOVO HAMBURGO-RS



Reunião familiar


 - Tem certeza de que você não quer ir?
 - Não iria me sentir bem, você sabe disso.
 - Mas é aniversário da minha mãe, você não deve nada a minha família.
 -É melhor que eu não vá. Leva o Pedro, ele vai gostar.
 Joana beijou a companheira, pegou o filho pela mão e saíram de carro. No trajeto foi recordando o quanto sofreu ao revelar à família a sua opção sexual e sua paixão por Rita. Foi discriminada, colocada para fora de casa, e quando chegava às reuniões da família todos se cutucavam e cochichavam.
 Lutou, virou uma empresária de sucesso com a ajuda de Rita, como a amava! Nem se lembrava mais quem era o pai de seu filho, ela e Rita cuidavam com carinho de Pedrinho.
 Chegou à casa da mãe onde toda a família estava reunida, o silêncio foi geral. Todos, de repente, voltaram ao normal e abraçaram Joana quando ela tirou do carro presentes para a mãe e toda a família.

                                                    (Jorge Eduardo Magalhães)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

VISITEM MEU TWITTER



Visitem meu twitter. Lá vocês poderão falar comigo e acompanhar meu trabalho literário. O endereço é:

http://twitter.com/jedumagalhaes

Obrigado pelo carinho
Jorge Eduardo Magalhães

segunda-feira, 21 de junho de 2010

CRÍTICO LITERÁRIO DA FOLHA CARIOCA FAZ RESENHA SOBRE MEU ROMANCE "VAGANDO NA NOITE PERDIDA"

Haron Gamal


O crítico literário e colunista do caderno "Ideias" do JB, Portal Literal e Folha Carioca fez uma resenha sobre o meu romance Vagando na noite perdida para a revista Folha Carioca que sairá no próximo número. Confiram:

Escritor carioca recria um Rio de personagens noturnos

 

    O atual momento da literatura brasileira é muito positivo, tanto para a poesia como para a prosa de ficção. As diversas tendências convivem harmoniosamente e, mesmo que exista a eterna reclamação de que o brasileiro lê pouco, nossos autores são editados, os novos acabam tendo também sua chance no mercado editorial. Na poesia, despontam Eucanaã Ferraz, Adriano Espínola e Carlito Azevedo, entre outros; na ficção, há uma interminável lista de bons escritores, como Daniel Galera, Bernardo Carvalho, Milton Hatoum, Cristovão Tezza, Adriana Lisboa e tantos outros muitas vezes imerecidamente esquecidos pelo crítico que tenta guardá-los de memória. Devido ao alto nível da atual literatura brasileira, tornam-se cada vez mais exigente a originalidade, a proposta e a criatividade lingüística daqueles que enveredam por esse caminho temerário.
  Jorge Eduardo Magalhães não se intimida diante de pares extremamente requintados. No seu mais novo romance, Vagando na noite perdida, ele assume o desejo de fazer uma literatura rodriguiana, já que também é autor de várias peças teatrais, como Tia Plácida e os Caras de Palco. Num clima noturno, onde se mostram influências de Noites na Taverna e Macário, de Álvares de Azevedo, seus personagens transitam por um Rio de Janeiro que aponta a vitória de poucos e a decadência e a marginalidade de tantos outros. Não que não sobressaia nas entrelinhas um Rio de Janeiro solar, onde paira também uma espécie de prazer e sortilégio. Seus personagens, no entanto, não têm a satisfação de experimentar este sabor; são malandros, exploradores de menores, prostitutas, pederastas, travestis e até mesmo assaltantes à mão armada.
  Narrando em primeira pessoa, o protagonista percorre as ruas da Lapa, da Glória e do Centro, numa noite fechada em que não há nenhuma concessão à Lapa glamorosa que conhecemos nos dias de hoje. Durante a caminhada, que dura por toda a madrugada, ele faz um balanço de toda a sua vida, ressaltando sempre a origem burguesa, o fato de ter jogado fora todos os prognósticos de se tornar um homem de sucesso, para depois nos narrar o mergulho na decadência, o melancólico fim do seu casamento, o abandono ao filho e a afinidade crescente com o álcool e com a marginalidade.
  A narrativa, embora curta, é bem estruturada, permitindo que se possa entender com clareza a rememoração proustiana do protagonista. São citadas passagens de vários autores clássicos, como o já mencionado Álvares de Azevedo, Byron, Dostoievski, Nelson Rodrigues etc., o que demonstra a boa articulação da narrativa com a obra desses escritores.
  O narrador sempre se vê às voltas com uma mulher misteriosa, acabando por segui-la e nos narrar a peripécia quando a narrativa já está próxima do final. Além da surpresa em relação à misteriosa Gisele, prostrada numa cama de hospedaria barata – onde mora o narrador – durante todo o passeio do personagem, fica impressão de que o relato poderia ser apenas um delírio, desses que só a ambientação numa noite contraditória como a do Rio é capaz de proporcionar.
  Walter Benjamin, em Charles Baudelaire, um lírico no auge do capitalismo, atesta a cidade e o homem urbano como objetos estéticos na obra do poeta francês. O flanar baudeleriano soube elevar a nível poético também o ser humano decaído, como a mendiga, o bêbado e mesmo o assassino; a poesia se apresentava como uma espécie de religião, ou salvação, para toda uma fauna urbana que antes não possuía encanto e, nas artes, nem existia. Em tempos pós-utópicos, o ser humano, restolho de uma sociedade altamente tecnocêntrica, se vê abandonado por qualquer espécie de divindade. Nem mesmo a arte seria capaz de salvá-lo. É a impressão que fica após a leitura de Vagando na noite perdida.
  A única ressalva que se pode fazer em relação ao livro é a respeito de certo descuido no nível de linguagem. Magalhães constrói um personagem que possui curso superior, formou-se em universidade pública, tem um bom nível de leitura, mas comete algumas escorregadelas ao nos contar sua história. Apesar de ele viver num ambiente degradado, não significa que a linguagem necessariamente deva ser negligenciada.
  O autor está no segundo romance. Antes, apresentou o também interessante Coração Venal. As vicissitudes da escrita não estragam, no entanto, o prazer que o livro proporciona, tendo Magalhães plenas condições de nos apresentar futuramente uma obra que poderá consagrá-lo no universo da ficção.

Haron Gamal (Professor e doutor em Literatura Brasileira pela UFRJ)




Vagando na noite perdida

Editora Multifoco

72 páginas

segunda-feira, 7 de junho de 2010

JORGE EDUARDO MAGALHÃES CONCEDE ENTREVISTA A BLOG.

Capa do livro Mulheres, de Kris Rikardsen

Nesta última semana concedi uma entrevista para o blog da escritora Kris Rikardsen onde falei sobre meu último romance Vagando na noite perdida, minhas publicações anteriores, minha trajetória como autor teatral e meus projetos para o futuro. Confiram minha entrevista e aproveitem para olhar o blog e a obra desta grande escritora: http://krtopazio.blogspot.com/2010/06/jorge-eduardo-magalhaes.html.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

PATRÍCIA VOLTOU



Patrícia voltou


Patrícia voltou,
Voltou e veio para ficar,
Que bom que não nos abandonou,
Que bom que ela não saiu doar.

Eu senti saudades,
Da Patrícia na televisão,
Narrando os fatos da nossa cidade,
Trazendo alegria ao meu coração.

Mas Patrícia ressurgiu,
E toda a cidade sorriu.

(Jorge Eduardo Magalhães)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

PREFÁCIO DO NOVO LIVRO DE NELSON TANGERINI FEITO POR JORGE EDUARDO MAGALHÃES

 Nelson Tangerini em Niterói

Ainda neste ano será publicado o livro Nestor Tangerini e o Café Paris, pelo qual tive a honra de fazer o prefácio. Confiram:

OS PARISIENSES DE NITERÓI
 Quando ouvimos falar em Literatura Brasileira da década de 1920 lembramos logo da Semana de Arte Moderna realizada nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, com Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia e os demais jovens paulistas que tinham como finalidade colocar a cultura brasileira a par das vanguardas européias, ao mesmo tempo em que pregavam a consciência da realidade brasileira.
 Nesta mesma década em Niterói, a então capital do estado do Rio de Janeiro, um grupo de poetas satíricos formado por Nestor Tangerini, Luiz Leitão, Renê de Descartes Medeiros, Luiz de Gonzaga, entre outros, reuniam-se, com frequência no extinto Café Paris para discutir literatura e declamar seus poemas, nome este que deu aos seus poetas freqüentadores a alcunha de “parisienses”.
 Nestor Tangerini, paulista de Piracicaba, autor de revistas como O tabuleiro da baiana e Gol; caricaturista e poeta satírico podia ser visto constantemente com seus amigos no Café Paris para falar de literatura e fazer trovas e sonetos que tratavam do cotidiano. Satirizavam a si mesmos ou uns aos outros, os seus vícios, suas manias e nem na hora da morte deixavam de fazer troças com os companheiros – como o caso de Nestor Tangerini, que, ao saber do falecimento de Luiz Leitão, o maior poeta humorístico fluminense, em 1936, escreveu uma trova onde os vermes, ao receberem o corpo de Leitão sepultado, comemoravam ter cachaça. Exaltavam a bela Atalá, linda moça niteroiense que arrancava suspiros dos parisienses, faziam soneto-propaganda para as lojas da cidade e ainda satirizavam as senhoras casadas que se mostravam zangadas com rapazes galanteadores, mas acabavam dizendo o endereço de suas casas.
 Embora escrevessem sonetos e, de forma geral, poemas com rimas e métricas lembrando claramente o estilo parnasiano, podemos considerar que os parisienses formavam uma espécie de Modernismo Fluminense ainda muito pouco conhecido e estudado pelo seleto meio acadêmico.
 Neste livro, Nelson Tangerini, filho de Nestor, jornalista e professor de literatura, não faz só uma homenagem ao seu pai, mas ressuscita o Café Paris, que em janeiro de 1943 foi demolido para a construção da Avenida Amaral Peixoto, e todos os parisienses de Niterói, dando-lhes o destaque merecido nos cânones da Literatura Brasileira.



(Jorge Eduardo Magalhães – Escritor, professor de Literatura e mestrando pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Prefácio do livro NESTOR TANGERINI E O CAFÉ PARIS - NITERÓI, RJ, ANOS 1920.
DE NELSON TANGERINI, EDITORA NITPRESS, 2010.