domingo, 13 de março de 2011

ESQUETE 2 - FIM DE SEMANA NA PRAIA

(Casal entra no quarto da pousada guiados pela gerente.)

MARIDO – É aqui?

ESPOSA – A Izildinha disse que a pousada era rústica, mas isso aqui está me parecendo uma espelunca.

GERENTE – Ah sim, é porque estamos passando por pequenas reformas.

ESPOSA – Pequenas... isso aqui vai ter muito o que reformar, a Izildinha me paga!

MARIDO (Cutucando a esposa) – Querida! (Para a gerente) Muito obrigado, qualquer coisa chamamos a senhora.

GERENTE – Qualquer coisa estou às ordens. (Estende a mão para pedir gorjeta, fica parada por alguns instantes. O marido somente lhe dá um aperto de mão.)

MARIDO – Obrigado.

GERENTE (Irritada) – Avareza é pecado. (Sai resmungando)

ESPOSA (Irritada) – A Izildinha é mesmo uma ordinária! Ela me paga!

MARIDO – Que é isso querida? De repente ela se enganou.

ESPOSA – Como você é ingênuo! Ela fez isso pra zombar de mim, ela sempre competiu comigo, desde os tempos de colégio. Vivia dando em cima de você, lembra? Bem que eu te disse que a gente não podia confiar naquela mulherzinha! Agora estamos nesta espelunca e ainda por cima está caindo o maior temporal lá fora!

MARIDO – Relaxa querida, vamos aproveitar o nosso fim de semana da melhor forma possível, afinal conseguimos deixar as crianças com a tua mãe pra darmos um passeio. Tudo bem que está chovendo, que este lugar é um fim de mundo e que a pousada é horrível, mas vamos tentar nos divertir. Aliás um banho de mar com chuva é muito gostoso, a água fica quentinha.

ESPOSA – Tem razão, só espero que não aconteça mais nada. (Falta luz)

MARIDO – Droga, faltou luz.

ESPOSA – Não é possível, a gente cansa de trabalhar debaixo de um dia lindo e quando temos uma folguinha, acontece tudo isso!

MARIDO – Calma querida, vamos chamar a gerente pra ver o que está acontecendo e depois vamos pegar nossos guarda-chuvas e dar um passeio na praia. (Batem na porta, o marido abre a porta. É a gerente.) Puxa, precisava mesmo falar com a senhora. A senhora tem previsão de quando a luz vai voltar?

GERENTE – Daqui a uns três dias?

ESPOSA – O quê?

GERENTE – A Light demora muito a vir aqui, principalmente porque tivemos alguns probleminhas.

MARIDO – Calma querida, então vamos dar um passeio na praia.

GERENTE – Só não entrem na água.

ESPOSA – Ué! Por quê?

GERENTE – Por isso que eu vim aqui, estamos avisando a todos os hóspedes. Estourou o emissário submarino e a praia está imprópria pro banho.

MARIDO – Mas no Rio também tem muitas praias impróprias pro banho.

GERENTE – Quando vocês verem o estado da água, rapidinho vão desistir de entrar.

ESPOSA – Como assim?

GERENTE – Vocês conhecem a praia de Ramos lá no Rio? (Os dois fazem que sim com a cabeça.) Pois é, a água da praia de Ramos perto dessa aqui é cristalina.

ESPOSA – Ai meu Deus!

GERENTE – Com licença. Qualquer coisa é só me chamar.

MARIDO – A senhora nos traz uma porção de camarão? Me disseram que o camarão daqui é uma delícia. (A gerente faz que sim com a cabeça e sai) Agora só nos resta curtir momentos a sós aqui no quarto sem as crianças por perto. Coloca aquela roupinha especial que você trouxe.

ESPOSA (Empolgada) É pra já. Já volto! (Vai ao banheiro, demora uns instantes e solta um grito)

MARIDO – O que foi querida?

ESPOSA – Querido, aconteceu uma tragédia, uma desgraça! A minha menstruação veio!

MARIDO – Mas você não disse que viria só na semana que vem?

ESPOSA – Pois é, mas veio antes!

MARIDO (abraça a esposa) – Calma querida, calma. (Batem na porta. O marido atende, é a gerente com a porção de camarão) Muito obrigado. (A esposa começa a dar tapa no corpo e no ar)

ESPOSA – Isso aqui está cheio de mosquitos.

GERENTE – Aqui quando chove e falta luz é assim mesmo.

MARIDO – O pior é que a gente não trouxe repelente!

ESPOSA – Querido, vamos embora?

GERENTE – Isso não vai ser possível. Caiu uma barreira na estrada. Eles vão esperar melhorar o tempo pra removerem. Com licença (Sai)

ESPOSA (Abraçando o marido) – Não é possível!

MARIDO – Querida, relaxa . vamos comer o camarão, parece estar uma delícia. (Começa a comer) Está muito gostoso. Experimenta querida.

ESPOSA – Estou sem fome.

MARIDO – Que pena, está uma delícia. (Come o camarão e coloca a mão na barriga) Acho que está me dando dor de barriga! Ai não vai dar tempo. (Corre para o banheiro. Batem na porta, a esposa atende. É a gerente)

ESPOSA – Pois não.

GERENTE – Só vim avisar que devido ao mau tempo, tivemos um problema hidráulico, por isso estamos pedindo aos hóspedes que não usem o vaso sanitário, qualquer coisa vão no banheiro coletivo. Mesmo porque estamos isolados e não conseguimos comprar material de limpeza para limpar o banheiro e os vasos sanitários.

ESPOSA – Ah não! (Começa a chorar e abraça a gerente.)

GERENTE – Calma, calma, passou. Aliás, que mau cheiro é esse?

(A esposa cai em prantos)


(Jorge Eduardo Magalhães)

terça-feira, 8 de março de 2011

JORGE EDUARDO EM BREVE LANÇARÁ LIVRO EM EDITORA PORTUGUESA

Ainda neste semestre, publicarei na Editora Lua de Marfim, de Portugal, meu livro Família de sombras que reúne pequenos contos que falam de perda, autoengano e desilusão. Assim que estiver disponível, colocarei o endereço do site para quem quiser adquirir o livro.

DÉBORA REIS - BANDA PARAQUEDAS


Eu vou falar só desta vez,
De um programa que causa risos,
Que se chama "É tudo improviso",
Vocês não conheçam talvez.

Confesso para vocês,
São talentosos artistas,
O que mais gosto é a vocalista,
Chamada Débora Reis.

Uma voz muito formosa,
Canta na Banda Paraquedas
E a plateia não sossega,
Muito linda e talentosa.

(Jorge Eduardo Magalhães)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

ESQUETE 1 - O MÉDICO E A MONA


(O médico está no consultório)

MÉDICO – O próximo, por favor. (Entra uma bichona aparentemente deprimida)

MÉDICO – Pode sentar. (Senta-se) O que houve?

HOMOSSEXUAL (Chorando) – Ai doutor eu estou sofrendo tanto! Tem dia que eu penso em cortar meus pulsos, ou então me jogar pela janela!

MÉDICO – Mas por quê?

HOMOSSEXUAL – Eu não suporto mais ser do jeito que eu sou!

MÉDICO – Como assim?

HOMOSSEXUAL – Eu não agüento mais ser gay. Isso é um martírio pra mim! Eu quero mesmo é casar, ter filhos!

MÉDICO – E por que não faz isso?

HOMOSSEXUAL (Em prantos) – Eu não consigo, eu acho um casal heterossexual bonito, mas eu não consigo gostar de mulher, ou melhor, (Histérico) eu tenho horror! (Cai em prantos)

MÉDICO – Calma, calma. Eu vou procurar te ajudar, mas pra isso você vai ter que me responder algumas perguntas.

HOMOSSEXUAL– Pois não, doutor. O senhor é um amorzinho!

MÉDICO – Algum trauma de infância?

HOMOSSEXUAL – Quando eu tinha meus quinze anos meu pai me chamou pra sair e me levou numa casa de mulheres. Quando eu vi onde eu estava comecei a suar frio, meu pai falou pra que eu escolhesse uma das meninas e eu escolhi qualquer uma. Nós fomos pro quarto e quando ela começou a me alisar eu vomitei em cima dela toda a dobradinha que eu tinha comido no almoço. Foi um horror, doutor! (Abre o berreiro)

MÉDICO – Mas você tem que superar esse trauma e procurar uma mulher que te dê carinho.

HOMOSSEXUAL – Mas doutor, recentemente eu sofri outro trauma.

MÉDICO – Como assim?

HOMOSSEXUAL – Eu sofri uma violência sexual! Ah doutor, foi um hor-ror!

MÉDICO – O quê? Pode me contar como aconteceu?

HOMOSSEXUAL – Ai, eu não gosto nem de lembrar! Eu estava na casa de uma amiga minha e fazia muito calor. Eu pedi para tomar um banho e ela perguntou se ela podia tomar banho comigo. Eu disse que sim, afinal da fruta que ela gosta eu como até o caroço. Tomamos banho juntos, quando eu vi ela estava me beijando, me agarrando. E o pior de tudo (Pausa) ela me violentou! Ai doutor foi Ter-rí-vel, fiquei uns três dias com febre!

MÉDICO – Então você admira as mulheres mas não consegue se relacionar com elas, não é isso?

HOMOSSEXUAL – Exatamente. Eu queria tanto ser uma pessoa normal, mas tenho pavor das mulheres, agora (pausa) quando eu vejo um garotão musculoso, (Suspira) eu fico louco. Principalmente aqueles tipo cafajeste. (Ofegante) Sabe doutor, eu a-do-ro ser humilhado na cama!

MÉDICO – Acho que você está com sorte. Tenho como curar seu problema.

HOMOSSEXUAL – Sério doutor?

MÉDICO – Seríssimno, tem uma paciente minha que vou atender depois de você, já deve estar na sala de espera. Tem o mesmo problema que você, somente que quer passar a gostar de homem.

HOMOSSEXUAL – Não entendi.

MÉDICO – Mas logo vai entender. (Levanta-se e vai até à porta do consultório) Teresão, pode entrar. (Teresão é uma sapatão que usa blusão e relógio cebolão)

TERESÃO – E aí doutor, que que o senhor manda.

MÉDICO – Eu vou lhe apresentar meu paciente.

TERESÃO – Tudo bem cara? (Aperta a mão da bicha com tanta força que ele grita e fica sacudindo a mão)

MÉDICO – Eu acho que tenho a solução para curar os dois ao mesmo tempo.

TERESÃO E HOMOSSEXUAL – Então fala doutor!

Médico – Os dois querem se interessar pelo sexo oposto e não conseguem. Então quem sabe vocês não se entendem? Afinal ele é um homem afeminado e você uma mulher masculinizada. Pois é, namorem e finja que ela é um homem e você é uma mulher.

HOMOSSEXUAL – Será que vai dar certo doutor?

MÉDICO – Não custa nada tentar.

TERESÃO – Gostei da idéia. (Para o homossexual) Vem cá minha gatinha, vem namorar com o papai aqui. (Tenta agarrar a bicha que se afasta)

TERESÃO – Não foge do papai não, minha gostosa. (Corre atrás da bicha)

HOMOSSEXUAL (Correndo desesperado) – Socorro! Alguém me ajuda!

(Teresão corre pelo palco atrás dele)

TERESÃO – Não faz charme minha gostosa. (Os dois saem de cena)

MÉDICO – Sejam felizes! (À parte) Nossa! O amor não é lindo?

(Jorge Eduardo Magalhães)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

VERSÃO POLITICAMENTE CORRETA DE "IRENE NO CÉU", DE MANUEL BANDEIRA


Irene afro-descendente,
Irene boa gente
Irene sempre contente.
Imagino Irene entrando nas terras do Senhor,
- Sai da frente, branco opressor!
E São Pedro dono de uma imagem corporal alternativa
- Entra Irene, aqui você tem cota cativa.

(Jorge Eduardo Magalhães)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CONTO DE JORGE EDUARDO PUBLICADO NA REVISTA DO CLUBE DOS ESCRITORES DE PIRACICABA



Mais um Natal que passou
 Desde que uma cartomante dissera que o grande amor de sua vida entraria pelo portão de sua casa numa véspera de Natal, ficava apreensiva todo ano quando se aproximava a data festiva. Mesmo tendo passado quase dez anos que a previsão havia sido feita nunca perdia a esperança e sempre mandava fazer um vestido novo para passar o dia vinte e quatro de dezembro
  Estava perto de completar quarenta anos e ainda morava na casa de seus pais, pois seu minguado salário de professora primária mal daria para pagar um quarto e fora que seus pais, já idosos, precisavam dela.
 Suas duas irmãs moravam com suas respectivas famílias no mesmo terreno e, além de cuidar dos pais, também auxiliava na criação dos sobrinhos.
 Todo ano, no mês de dezembro, gastava todo o seu décimo – terceiro salário com a preparação da ceia de Natal da família e com os presentes para os pais, irmãs, cunhados e sobrinhos e todos comemoravam a data montando uma farta mesa no quintal em comum.
 Apesar de toda a sua dedicação, de ter abdicado de sua própria vida em prol da família, sempre ouvia piadas por parte dos pais, irmãs e cunhados por ainda estar solteira e tais gracejos ficavam ainda mais cruéis nas festas de fim de ano, quando sempre exageravam um pouco mais na bebida.
 Mesmo sabendo dos infortúnios que ia passar e as coisas que teria que ouvir como nos anos anteriores, estava disposta a passar mais um Natal em família, pois tinha certeza absoluta de que a previsão da cartomante iria se concretizar e, como sempre, comprou toda a ceia, presente para todos e mandou fazer um vestido bem bonito com a melhor costureira do bairro.
 Ficou ainda mais entusiasmada quando ouviu um de seus cunhados comentar que na véspera de Natal receberia em sua casa um colega de trabalho. Tinha certeza, era esse colega de trabalho o grande amor da sua vida que a cartomante tinha falado. Como ele seria? Seria bonito? Suspirava só de pensar nele entrando pelo portão de sua casa e ficava horas e mais horas cantarolando imaginando o rosto do grande amor de sua vida que estava para chegar.
 Como nos Natais anteriores, todos beberam um pouco além da conta e fizeram as gozações de sempre. Alguém até chegou a lhe chamar de encalhada. Riu tentando fingir levar na brincadeira.
 A hora foi passando e nada do tal amigo chegar. Estava ansiosa e a cada instante olhava para o portão.
 Finalmente deu meia-noite e cessaram as piadas para receberem os presentes que ela havia comprado. Finalmente entrou o amigo portão adentro. Era gordo, careca, feio, usava uma camisa amarrotada e estava completamente embriagado, pois estava deprimido por ter brigado com a esposa. Foi apresentado a todos e na hora de cumprimentá-la vomitou em cima de seu vestido. Todos riram e alguém comentou que aquilo podia ser um sinal de sorte e, de repente, poderia até arranjar um marido.
 Sorriu sem jeito e saiu para tomar um banho. Quando se trancou no banheiro começou a chorar, mas rapidamente se recompôs, afinal não podia perder a esperança, tinha certeza de que no Natal do próximo ano tudo seria diferente.
                                      
                                                        (Jorge Eduardo Magalhães)








domingo, 13 de fevereiro de 2011

PATRÍCIA NO CNT JORNAL

Ver Patrícia no jornal da Salete
Toda vez me deixa maravilhado,
Trazendo as notícias do nosso estado,
Com sérias e importantes manchetes.

A Salete é sempre questionadora
Seu jornal tem muita seriedade,
E com a Patrícia nas reportagens,
Traz muitas notícias inovadoras.
(Jorge Eduardo Magalhães)