terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CONTO DE JORGE EDUARDO PUBLICADO NA REVISTA DO CLUBE DOS ESCRITORES DE PIRACICABA



Mais um Natal que passou
 Desde que uma cartomante dissera que o grande amor de sua vida entraria pelo portão de sua casa numa véspera de Natal, ficava apreensiva todo ano quando se aproximava a data festiva. Mesmo tendo passado quase dez anos que a previsão havia sido feita nunca perdia a esperança e sempre mandava fazer um vestido novo para passar o dia vinte e quatro de dezembro
  Estava perto de completar quarenta anos e ainda morava na casa de seus pais, pois seu minguado salário de professora primária mal daria para pagar um quarto e fora que seus pais, já idosos, precisavam dela.
 Suas duas irmãs moravam com suas respectivas famílias no mesmo terreno e, além de cuidar dos pais, também auxiliava na criação dos sobrinhos.
 Todo ano, no mês de dezembro, gastava todo o seu décimo – terceiro salário com a preparação da ceia de Natal da família e com os presentes para os pais, irmãs, cunhados e sobrinhos e todos comemoravam a data montando uma farta mesa no quintal em comum.
 Apesar de toda a sua dedicação, de ter abdicado de sua própria vida em prol da família, sempre ouvia piadas por parte dos pais, irmãs e cunhados por ainda estar solteira e tais gracejos ficavam ainda mais cruéis nas festas de fim de ano, quando sempre exageravam um pouco mais na bebida.
 Mesmo sabendo dos infortúnios que ia passar e as coisas que teria que ouvir como nos anos anteriores, estava disposta a passar mais um Natal em família, pois tinha certeza absoluta de que a previsão da cartomante iria se concretizar e, como sempre, comprou toda a ceia, presente para todos e mandou fazer um vestido bem bonito com a melhor costureira do bairro.
 Ficou ainda mais entusiasmada quando ouviu um de seus cunhados comentar que na véspera de Natal receberia em sua casa um colega de trabalho. Tinha certeza, era esse colega de trabalho o grande amor da sua vida que a cartomante tinha falado. Como ele seria? Seria bonito? Suspirava só de pensar nele entrando pelo portão de sua casa e ficava horas e mais horas cantarolando imaginando o rosto do grande amor de sua vida que estava para chegar.
 Como nos Natais anteriores, todos beberam um pouco além da conta e fizeram as gozações de sempre. Alguém até chegou a lhe chamar de encalhada. Riu tentando fingir levar na brincadeira.
 A hora foi passando e nada do tal amigo chegar. Estava ansiosa e a cada instante olhava para o portão.
 Finalmente deu meia-noite e cessaram as piadas para receberem os presentes que ela havia comprado. Finalmente entrou o amigo portão adentro. Era gordo, careca, feio, usava uma camisa amarrotada e estava completamente embriagado, pois estava deprimido por ter brigado com a esposa. Foi apresentado a todos e na hora de cumprimentá-la vomitou em cima de seu vestido. Todos riram e alguém comentou que aquilo podia ser um sinal de sorte e, de repente, poderia até arranjar um marido.
 Sorriu sem jeito e saiu para tomar um banho. Quando se trancou no banheiro começou a chorar, mas rapidamente se recompôs, afinal não podia perder a esperança, tinha certeza de que no Natal do próximo ano tudo seria diferente.
                                      
                                                        (Jorge Eduardo Magalhães)








domingo, 13 de fevereiro de 2011

PATRÍCIA NO CNT JORNAL

Ver Patrícia no jornal da Salete
Toda vez me deixa maravilhado,
Trazendo as notícias do nosso estado,
Com sérias e importantes manchetes.

A Salete é sempre questionadora
Seu jornal tem muita seriedade,
E com a Patrícia nas reportagens,
Traz muitas notícias inovadoras.
(Jorge Eduardo Magalhães)



domingo, 30 de janeiro de 2011

SONETO DO PSEUDO-COMUNISTA


Muita gente que diz ser comunista,
Leva uma bela vida de burguês,
Come caviar com champagne francês,
Como um belíssimo capitalista.

Estes grandes pseudo-marxistas,
Também só bebem uísque escocês,
E se discordar deles uma vez,
Eles te chamam de nazi-fascistas.

Enaltecem Cuba com arrogância,
Endeusam o governo de Fidel,
Mas não largam o luxo e a elegância.

Sempre apoiam o regime cruel,
No fundo, de Cuba, querem distância,
E o ideal só fica no papel.

(Jorge Eduardo Magalhães)

sábado, 29 de janeiro de 2011

HAICAIS A P.H




I
A bela Patrícia,
  Faz meu peito palpitar,
Ao dar as notícias.

II
Ao ver a TV,
Adoro vê-la no jornal,
Da CNT.

III
Patrícia é divina,
Sua imagem na TV
Sempre me fascina.

IV
Bom vê-la na tela,
De todas as jornalistas,
És tu a mais bela.

V
Amo as reportagens,
Deusa sul-matogrossense
Linda a sua imagem.

VI
Não perco o jornal,
Para ver suas matérias,
Eu sou pontual.

VII
Pelas emissoras,
Acompanho sua carreira,
Muito promissora.

VIII
No Jornal Futura
E nos jornais por que passa,
Esbanja doçura.

IX
É gratificante,
Ver Patrícia no jornal.
É sempre brilhante.

X
É de emocionar,
Ver no jornal da Salete
Patrícia falar.

(Jorge Eduardo Magalhães)








                                                                  


HAICAIS



I
Ela diz me amar,
quando quer falar comigo,
Me liga a cobrar.

II
Ditado certeiro,
Quem gosta de homem é gay,
Mulher de dinheiro.

III
O funk é horrível
Dizem que o funk é cultura,
Que coisa terrível.

IV
Diz ser comunista,
Mas leva vida burguesa,
Bem capitalista.

(Jorge Eduardo Magalhães)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

SONETO DA SAUDADE


Sinto muitas saudades de você,
Como era bom te ver todas as tardes,
Trazendo-me muita felicidade,
Como era delicioso te ver.

Eu nunca mais irei te esquecer,
Trazias para mim a claridade,
Anjo com muita luminosidade,
Preenchendo o vazio do meu ser.

Sinto uma sufocante nostalgia,
Sempre quando vejo outra em seu lugar,
Foi-se embora toda minha alegria,

Tristeza no meu peito a abafar,
No meu ser só resta a poesia,
Como uma forma de me consolar.

(Jorge Eduardo Magalhães)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

SONETO DE DESPEDIDA


Um terrível sentimento na vida,
E que me causa muito sofrimento,
Quando chega o inevitável momento,
Da triste e dolorosa despedida.

Parece uma incômoda ferida,
Infeccionando em meu pensamento,
Incomodando-me a todo momento,
A tristeza em meu coração contida.

Foi como se fosse em meu peito um corte,
Quando não te vi lá na segunda,
Naquela hora, tive que ser forte,

Em prantos, para mim, foi como a morte,
Pois senti uma tristeza profunda,
Sofro, mas desejo-te boa sorte.

(Jorge Eduardo Magalhães)