terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CARNAVAL DE 2072


No centenário de meu nascimento,
Serei enredo de escola de samba,
Minha vida nos pés de gente bamba,
Que alegre cantará os meus momentos.

Meu filho, que já será sessentão,
Na passarela me representando,
E sua semelhança relembrando,
Minha pessoa com muita emoção.

A escola contará minha história,
Entre os esplendores e fantasias,
Entre adereços e alegorias,
Irão resgatar minha trajetória.

Terá uma ala das poesias,
Outra para as peças teatrais,
Um carro lembrando meus carnavais,
E a multidão esbanjando alegria.

No final, um grande carro alegórico,
Representando a bela jornalista,
Musa inspiradora do sonetista,
Retratando este momento histórico.

Relembrando a musa de Campo Grande,
Sapucaí, palco fenomenal,
Escola campeã do carnaval,
Dona de um espetáculo estonteante.
(Jorge Eduardo Magalhães)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

CONTO DE JORGE EDUARDO PUBLICADO NO JORNAL TREM ITABIRANO - MG


A infiel


Desde que se casara com Lígia, Olímpio não tinha olhos para outra mulher, amava-a profundamente e dava a ela uma vida de rainha. Médico bem sucedido, Olímpio não deixava sua esposa trabalhar, embora ela fosse formada em psicologia. Durante a noite, após um amor ardente, ficava horas contemplando a beleza do corpo nu de sua amada. Achava que não existia no mundo outra mulher tão bonita. Um dia a grande desilusão: Olímpio chegou mais cedo em casa e flagrou Lígia com outro na cama. Ficou em estado de choque.




- Por que você me traiu?




- Me perdoa, foi uma fraqueza! – disse a adúltera em prantos.




Pensou, refletiu e decidiu perdoar Lígia. As traições continuaram, só que com amantes diferentes. Desesperado, Olímpio quis saber o motivo da descarada infidelidade da esposa que lhe respondeu chorando:




- Eu te amo muito, mas não consigo me satisfazer só contigo.




Pensou em se separar de Lígia, mas não conseguia, pois a amava demais. Resolveu não enxergar o que acontecia debaixo do seu nariz. Lígia chegava cada vez mais tarde em casa e Olímpio nada dizia, apenas deitava ao seu lado e dormia.




Uma tarde, num bar, apareceu um rapaz com que Lígia se encantou, chamava-se Carlos e era um rapaz alto e de corpo atlético. Depois de fazerem amor, Lígia sentiu uma enorme dor de consciência por tudo o que tinha feito com o marido. Prometeu a si mesma nunca mais trair Olímpio. Chegando em casa verificou que as roupas de Olímpio não se encontravam mais no armário onde encontrou um bilhete do marido:




Tentei salvar o nosso casamento, mas vi que é impossível viver ao teu lado; estou indo embora. Aquele rapaz com quem você saiu hoje à tarde fui eu quem lhe arranjei. Quero também comunicar que tem uma surpresa para você na primeira gaveta do armário.




Lígia, curiosa, abriu a gaveta onde só havia o exame de HIV de Carlos com resultado positivo.










terça-feira, 19 de janeiro de 2010

CONTO DE JORGE EDUARDO PUBLICADO NO JORNAL POLEGAR





Dia das mães



- Fala quem estava contigo no assalto! – gritava cabo Mendes com a arma apontada para o pobre diabo.




- Eu não tava no assalto, não senhor! – implorava de joelhos.




- Fala pra não morrer!




- Eu juro que não tenho nada a ver com isso!




- Vamos combinar o seguinte, se você falar a verdade, eu deixo você ir embora.




- O senhor deixa mesmo?




- Já disse que sim!




- Foi o Branca de Neve.




- Eu sei quem é!




- Agora posso ir?




- Dá somente um sorriso pra mim, não quero te ver triste.




Obedeceu e levou três tiros que esfacelaram seus dentes da frente.




Na segunda-feira iria atrás do Branca de Neve, porque tinha que comprar um presente para a esposa e para a mãe.




Todos se reuniriam no domingo, dia das mães, num almoço em família. Todos os anos Mendes fazia um discurso e realmente se emocionava enchendo os olhos d’água.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

CONTO DE JORGE EDUARDO PUBLICADO NO JORNAL POLEGAR


A vizinha gorda

-Tem uma vizinha gorda que tem inveja de você e da sua família – disse a cartomante à Dona Odete.
- Só pode ser a Jandira!
- Ela quer fazer um trabalho para prejudicar vocês!
Jandira era a vizinha de frente. Uma cinqüentona gorda, com os cabelos tingidos de louro e que vivia na janela a observar a vida alheia. Odete havia percebido que ela, ultimamente, não tirava os olhos de sua casa.
Odete passou noites em claro impressionada com as palavras da cartomante e evitava qualquer tipo de contato com a vizinha gorda.
Numa manhã de sol, enquanto Odete estendia as roupas das crianças no varal, Jandira aproveitou para lhe fazer uma visita sob qualquer pretexto. Não teve como evitar a sua entrada, pois quando viu, ela já estava no quintal.
Pensou em ir atrás da vizinha, fazer um escândalo, mas não tinha provas mesmo tendo certeza de que havia sido ela.
Foi até a cartomante para pedir orientação, mas ela havia viajado.
Voltou para casa aguardando que o pior acontecesse.
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

SONETOS A P.H


(Capa do meu romance O retrato de Perpétua)
Tela de 1853, de autor desconhecido.

I
Bela como uma deusa divina,
Buscando um jornalismo verdade,
Nos obscuros cantos da cidade,
Seguir tua trajetória é minha sina.

Sua linda beleza me fascina,
És musa de meu começo de tarde,
E toda a mais cruel realidade,
O seu rosto angelical ameniza.

Dona de uma linda cútis dourada,
És a musa sul-matogrossense,
Linda princesa de um conto de fadas,

Muito linda e também inteligente,
Cuja sua perigosa jornada,
Conquistou o povo fluminense.
II
És a musa do meu entardecer,
Dona de um talento fascinante,
Com sua presença brilhante,
O jornalismo veio engrandecer.

A maldade que faz entristecer,
Notícias da violência constante,
Nos lábios da deusa de Campo Grande,
Faz minha alegria reacender.

Assistindo através da tela fria,
O cenário, um lindo céu azul,
Narra os acontecimentos do dia.

Princesa de Mato Grosso do Sul,
Sua linda beleza irradia,
As notícias do Centro ao Grajaú.

III
Pelos subúrbios ou em Ipanema,
Tens mais brilho que uma constelação,
Enchendo os fluminenses de emoção,
Como a mais bela musa do cinema.

Atuando na mais bonita cena,
Com uma atriz na representação,
Palpitando o mais duro coração,
Bela musa mais linda que Helena,

Assim como a esposa de Menelau,
Tens uma trajetória perigosa,
Só para mostrar o mundo real.

Como a amada de Páris, és formosa,
Mas, ao contrário dela, não causou o mal,
Tornando a vida mais maravilhosa.


IV
Mostrando um mundo cheio de dores,
Triste rotina que nos entristece,
Mas toda vez que na tela aparece,
Nossa cidade se enche de flores.

Noticiando todos os dissabores,
Que na sociedade sempre acontece,
Reportagens que muito me entristecem,
Mas com você, tudo se enfeita de cores.

Nossa gente nunca perde a esperança,
De que uma era melhor chegará,
Tempo que ficará em nossa lembrança,

A boa nova de seus lábios virá,
Pois em seu trabalho temos confiança,
E só coisas boas irá noticiar.

V
Nossa Vênus do telejornalismo,
Despontando toda sua beleza,
Retratando um mundo de incertezas,
Com carisma e profissionalismo.

A cidade se cobre de otimismo,
toma lugar da tristeza,
Suavidade ofusca aspereza,
A verdade retratada com lirismo.

Vibro quando na tela aparece,
Não faz ideia da alegria que sinto,
Toda minha alegria resplandece,

Pode em mim confiar porque não minto,
Mato-Grosso do Sul nos oferece,
A mais bela deusa do seu Olimpo.

VI
A jornalista mais linda do mundo,
É muito querida por todos nós,
Quando ouvimos sua macia voz,
Logo sentimos um bem estar profundo.

A alegria aparece num segundo,
Mesmo retratando um mundo feroz,
Ao te vermos não nos sentimos sós,
Vemos uma luz num túnel bem fundo.

Os corações fluminenses palpitam
Quando aparece na televisão,
A beleza e carisma nos conquistam,

Enchendo-nos de satisfação,
Muitos dos fluminenses te admiram,
Cumprindo sua difícil missão.

VII
És musa inspiradora em verso e prosa,
A beleza do Rio é ofuscada,
Quando apareces em sua jornada,
A cidade reclama invejosa.

Uma linda jornalista formosa,
Digna de por poetas ser cantada,
Tornando nossa vidas inspiradas,
Deixando nosso mundo cor de rosa.

És competente, digna de respeito,
A dona de um carisma cativante,
Mais bonita que o Rio de janeiro,

Que perto de ti é insignificante,
E a cidade reclama com despeito,
- Por favor, seja musa em Campo Grande!

VIII
Diva da informação e da cultura,
A nossa bela jornalista,
Cada dia que passa nos conquista,
Linda como a mais perfeita pintura.

Cuja tela representa a moldura,
Obra retratada por um artista,
Com os melhores traços detalhistas,
De divinas formas como escultura.

Pela nossa gente és muito querida,
Conquistastes o nosso povo,
Presença que completa a nossa vida.

És bela porque sempre traz o novo
Tu tornas a cidade mais florida,
É por isso que a ti eu sempre louvo.
IX
Toda tarde ao te ver não sei ao certo,
A sensação que causa a tua imagem,
Parece até uma bela miragem,
Que vai surgindo num quente deserto.

Beleza que encanta um mercador esperto,
Um príncipe da mais pura linhagem,
Que quando assiste tua reportagem,
Tem a vontade de te ver de perto.

Dona de um dom de a todos fascinar,
Tanto nobres quanto simples mortais,
Tão suave quanto a brisa do mar,

Que vai desfazendo os areais,
Assim como faz a todos calar,
Com suas aparições colossais.

X
Dedico-te este último soneto,
De todas estas rimas me despeço,
Para escrever a ti que aos deuses peço,
Inspiração do poema perfeito.

Porque quero ser o poeta eleito,
Para em tua homenagem criar meus versos,
Sempre termino aquilo que começo,
Mas chegou ao final o meu feito.

Escrevo este soneto final,
Que fiz com muita dedicação,
Para a musa do telejornal.

Um árduo trabalho de criação,
Mas tal tarefa não faz nenhum mal
Quando é feita com muita emoção.

(Jorge Eduardo Magalhães)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

CONTO PUBLICADO NO JORNAL POLEGAR





O retorno ao lar



Estou voltando, sei que errei, abandonei minha família, meus filhos, escrevi aquele bilhete chamando meu marido de frouxo pra baixo, vendi as jóias que ele me deu, estava fora de mim, foi uma loucura.



Deixei tudo pra trás, marido, filhos, tudo pra viver ao lado de um homem mais jovem, mais bonito, mas tudo não passou da mais pura ilusão. Foi bom, não vou negar, as noitadas, os jantares, as deliciosas noites de amor, mas quando o dinheiro acabou ele mostrou sua verdadeira face, chamou-me de velha, disse que não me suportava e me abandonou.



No fundo foi bom, há males que vêm para o bem. Isso tudo serviu para eu enxergar o quanto amo minha família. Às vezes só damos valor a certas coisas quando perdemos.



Estou me aproximando de casa. Meu coração bate mais forte, mas sei que eles vão me aceitar de volta, afinal, somos uma família e nos amamos.


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ANTÍTESE





Amo a feia que bonita parece,
Fiz o mal querendo fazer o bem,
Cheio de amigos não tenho ninguém,
Antenado, eu não sei o que acontece.

Me lembro dela que logo me esquece,
Eu sempre esqueço, mas lembro de alguém,
Estou mal, mas sempre estou bem,
Sou um ateu que reza sua prece.

Vivo entre meus sonhos com os pés no chão,
Sou livro aberto na caixa fechada,
Andando certo pela contramão,

Falo tudo com a boca cerrada,
Com frieza tenho um bom coração,
Sempre quero tudo e não quero nada.
(Jorge Eduardo Magalhães)